BABOSA - Aloe vera (L.) Burm.f.

BABOSA - Aloe vera (L.) Burm.f.

 27/08/2020

Aloe vera (L.) Burm.f.

Babosa

Parte Utilizada:

Gel mucilaginoso de folhas frescas [1, 2] ​
Padronização / Marcador:
Gel mucilaginoso; 0,3%polissacarídeos totais, [1, 2]. 

Ações Farmacológicas:

Exerce ação emoliente e acelera o processo de cicatrização, estimulando atividade de fibroblastos, síntese de colágeno e proteoglicanas, contribuindo na aceleração da recuperação tecidual [3]. Antiinflamatório [4] 
Em estudos in vivo concluiram que o gel de aloe promove a cicatrização por estimulação direta de macrófagos e fibroblastos. Essa atividade possivel- mente é modulada por polissacarídeos, predomi- nantemente constituído por manose. Um carboi- drato complexo isolado de aloe acelerou a cicatriza- ção e reduziu reações na pele induzidas por radiação. O possível mecanismo dessa atividade envolve primeiro a ativação de macrófagos, que estimulam a liberação de citocinas fibrogênicas. Posteriormente, pode haver ligação direta de fatores de crescimento ao carboidrato, prolongando a estimulação do te- cido de granulação. Os efeitos terapêuticos do gel de aloe incluem prevenção da isquemia dérmica progressiva causada por queimaduras; ulcerações causadas pelo frio; queimadura elétrica e abuso de drogas por via intra-arterial. Em estudos in vivo concluiram que o gel de aloe atua como inibidor da síntese de tromboxano A2, um mediador do dano tecidual progressivo. O gel fresco de aloe reduziu significativamente a inflamação aguda em ratos, não sendo observado nenhum efeito sobre a inflamação crônica. Possíveis mecanismos de ação anti-inflamatória do gel de aloe incluem ação sobre a bradiquinase e inibição de tromboxano B2 e pros- taglandina F2. Esteroides existentes no gel de aloe, incluindo lupeol, podem contribuir para a ação anti-inflamatória.(anvisa)
Em estudo duplo-cego randomizado concluiu-se que uma formulação contendo gel de aloe com- binado com tretinoína foi significativamente mais efetiva do que tratamentos com creme contendo tretinoína e placebo, no tratamento de acne. O gel fresco de aloe tem sido utilizado para o tratamento de queimaduras induzidas por radiação. Um creme contendo aloe acelerou a cicatrização de úlceras causadas por radiação, entretanto, o gel fresco foi mais efetivo. Em ensaio clínico placebo- controlado com 27 pacientes com queimaduras concluiu-se que o grupo tratado com gel de aloe apresentou cicatrização mais rápida do que o grupo tratado com gaze vaselinada. Em investigações clínicas concluiu-se que o gel de aloe acelera os pro- cessos de cicatrização. Estudo randomizado, duplo cego, placebo contro- lado, com pacientes submetidos a hemorroidectomia aberta, que fizeram uso do creme contendo A. vera apresentaram menor grau de dor pós-operatória, cicatrização superior e menor consumo de anal- gésicos quando comparado com o grupo placebo.
Um creme contendo A. vera a 0,5% foi avaliado em comparação com sulfadiazina de prata a 1% no tra- tamento de queimaduras, em trinta pacientes que apresentavam queimadura de segundo grau. O cre- me contendo A. vera mostrou-se superior quanto ao processo de cicatrização e reepitelização da pele ocorrendo em menos de 16 dias, enquanto que o tratamento com o creme de sulfadiazina de prata o processo de cicatrização foi em média de 19 dias [2] 
Indicações oficiais:
Tratamento de queimaduras térmicas (1o e 2o graus) e de radiação [1,2]. 

Tradicional:
Lesões de pele secundárias á queimaduras térmicas ou químicas (1o, 2o graus) [3]. Feridas leves e de doenças inflamatórias da pele. Irritações leves da pele: queimaduras, feridas e abrasões. Exerce ação emoliente e auxilia no processo de cicatrização [3]. Cosmético hidratante em líquidos, cremes, protetores solares, cremes de barbear, batons, ungüentos curativos e kits faciais [4] 

Apresentações, Forma Farmacêutica, Posologia e Protocolos:
Uso tópico
Forma farmacêutica: duas vezes ao dia na forma de Creme, gel, pomada contendo extrato seco 200:1. Pode-se associar o uso do sabonete líquido de aloe vera.
 
Folha fresca:
Cortar e lavar muito bem a folha. Dar preferência as folhas mais velhas que contem maior teor de ativo. Deixar escorrer o líquido amarelo (latex) que pode ser irritante pra pele e quando ingerido tem efeito laxativo. Cortar as laterais da folha e parti-la ao meio e aplicar sobre a lesão. Repetir a aplicação varias vezes ao dia. 


Efeitos Colaterais e Reações Adversas:


Raros efeitos colaterais no caso de aplicação cutânea. Alguns pacientes podem apresentar dermatite de contato ou um leve prurido [6]. Reação alérgica [4]. 

Precauções, Restrições, Cuidados, Advertências, Interações, Contra-indicações
Superdosagem, Informações Adicionais:



Contra indicado para pacientes alérgicos a plantas da família Liliaceae[4].
Uso oral contra-indicado da parte externa das folhas: risco considerável.
Critério para exclusão dos pacientes nesta via de administração, desta parte usada: gravidez, lactantes, crianças, insuficiência cardíaca, período menstrual, hemorróidas, afecções renais, enterocolites, prostatites, cistites, disenterias, síndrome do cólon irritável (espasmo e irritação da mucosa gastrintestinal), abdômen agudo [7]. Superdosagem pode causar nefrite aguda [8].
Uso recomendado tópico Preferencialmente, o Gel deve ser fresco, preparado na hora, por causa de sua sensibilidade à degradação enzimática, oxidativa ou microbiana. [4] 

Referências: 

[1] ANVISA, Resolução RE no 89 - Lista de Registro Simplificado de Fitoterápicos, 16/03/2004.
[2] ANVISA, Memento Fitoterápico da Farmacopeia Brasileira, 2016.

[3] Verde Saúde. Prefeitura Municipal de Curitiba. Curitiba, PR, 1999.
[4] World Health Organization - Monographs On Selected Medicinal Plants. Geneva, 1998.
[5] Silva Junior, A. A.; Michalak E. O Éden de Eva Descritivo ilustrado das espécies medicinais do Horto Eva Michalak. 1a Ed. EPAGRI. 2014 

[6] CAPASSO, F., GRANDOLINI, G., IZZO, A.A. Fitoterapia – Impiego razionale delle droghe vegetali. 3a. ed. Verlag, Itália: Springer, 2006.
[7] FERRO, D. Fitoterapia, conceitos clínicos. São Paulo: Editora Atheneu, 2006.
[8] LORENZI, H., MATOS, F.J.A. Plantas Medicinais no Brasil – Nativas e exóticas. São Paulo: Instituto Plantarum, 2002.